Nos últimos meses, nós enfrentamos uma das piores coisas que uma família pode enfrentar na escala de coisas ruins da vida: o Elcio descobriu um câncer já em um estágio de metástase. O câncer não apenas acomete um individuo, ela adoece a família toda.
O nosso núcleo familiar mais próximo sofreu um baque direto, que atingiu também nossos familiares distantes e amigos. Alguns planos foram cancelados; sonhos, adiados; preocupações, que a gente deixa sempre embaixo do tapete, afloraram. A gente se dá conta de que não é nada e percebe que a gente não é dono da nossa vida, dos nossos planos e nem mesmo da gente, com bem dizia a sábia Mamãe Clory. Pensar assim dá um medinho, né? Mas também nos coloca cara a cara com a idéia de que não apenas somos. Nós estamos. Tudo é transitório: os prazeres, as dores, as alegrias e pesares. Essa idéia de que nada é definitivo pode, algumas vezes, dar-nos esperança e desejo de sermos sempre melhores. Com esse pensamento é que a gente consegue tirar o melhor de cada experiência.
Eu criei uma imagem de que o câncer poderia ser como um rastelo de areia: ele serve para separar tudo o que nos prejudica, faz mal e atrasa daquilo que queremos manter porque nos é benéfico. O Elcio em um momento percebeu a doença como um respiro, um tempo para avaliar tudo e ver que rumo seguir. Se a gente parar bem para pensar, as duas idéias são complemetares.
Poder avaliar, separar, limpar e decidir qual caminho seguir é uma benção.
Poder perceber que a gente tem amigos que nos ajudam nas questões práticas, que rezam por nós, que se preocupam é uma benção.
Poder sentir que o amor que nos une em família é verdadeiro, sincero, forte e capaz de resistir a qualquer prova que a vida mandar é uma benção.
Se essas bençãos chegaram até nós através de uma doença, que seja. Garanto que a lição foi aprendida e que elas não serão desperdiçadas.
Câncer é uma doença que incomoda, desconforta, traz medo. Quando a gente fala de uma pessoa jovem como o Elcio, os sentimentos vem ainda mais fortes. Aos amigos que venceram o desconforto, o medo de falar, a insegurança de como reagir e nos deram apoio e nos ajudaram sempre, nosso mais sincero agradecimento!
Obrigada a nossa família querida que nos ofereceu ajuda, dinheiro, tempo, disponibilidade, conselhos e que nos deu a única coisa que estávamos realmente precisando: amor!
Meu amor, que bom que você está bem! Não imagino minha vida sem você nem um minuto! Quanta coisa a gente já viveu, não? Que compromisso forte e bonito assumimos juntos. Nossos filhotes precisam de você sempre do lado deles como você é: brincalhão, amoroso, bringuento, cheio de manias… Como bem disse a Isabella hoje mesmo, eu adoro ver você sorrindo! Te amo demais!