Filhota linda, ontem você fez sete anos e agora é quase uma mocinha. Já lê e escreve bem e tem pequenas preocupações de pré adolescente, como, por exemplo, se uma roupa vai te deixar gorda ou magra. Tem andado interessada em esmaltes, batons, todo o universo feminino e seu papai acha que você está um pouco precoce. Mas você sempre foi assim mesmo, filha. Seu comportamento sempre foi tranqüilo, mas seu ritmo interno sempre foi acelerado. Falou cedo, andou cedo, amadureceu cedo e praticamente nunca deu aqueles trabalhos típicos que as crianças pequenas dão.
Hoje você passa bastante tempo pensando nas suas questões de menininha, mas muitas vezes você não comenta o que está se passando no seu coraçãozinho. Eu o seu pai respeitamos seus momentos e nos alegramos quando você nos procura para falar sobre o que está pensando e sentindo. Esperamos que seja sempre assim.
Eu, particularmente, muito embora tenha que exercer sempre o papel de mãe-chata-que-cobra-as-coisas, faço um esforço para que sempre tenhamos momentos gostosos partilhados apenas por nós duas. Ontem, por exemplo, fiz questão de largar tudo para te levar pro salão para fazermos as unhas juntinhas. Era uma coisa que você queria fazer há algum tempo e tenho certeza de que você vai se lembrar disso para sempre. Eu, com certeza, vou lembrar de como você ficou feliz ao fazer a unha estilo “francesinha” pela primeira vez.
Fisicamente você está parecida com o seu pai, mas às vezes eu fico impressionada como você é parecida comigo. Seu jeito avoado e despreocupado, sua desorganização, a paixão por música de todos os tipos, sua preocupação com o sentimento dos outros, seu desapego e independência, sua extroversão e o gosto por fazer novos amigos me lembram muito a menininha que eu fui há alguns anos.
Mas eu sei que você vai ser uma pessoa muito melhor do que eu. É difícil essa coisa de educar uma pessoa, sabe filha? A gente tem que ter pulso firme para ajudá-la a descobrir o seu valor e te ensinar o que é certo e errado, mas não queremos que você se sinta esmagada ou oprimida. Seu pai e eu estamos tentando criar você o mais forte, independente e segura o possível e sentimos que estamos no caminho certo. Você nos respeita, mas demonstra que se sente à vontade para nos questionar e sabe exigir o que acha que é seu direito.
A sua festa do pijama de ontem deu uma boa mostra do que serão os próximos anos. Nós queremos que você sinta que a nossa casa é o melhor lugar para passar momentos felizes e para receber os seus amigos.
Eu, seu pai e seu irmão amamos muito você!