Filho, ontem você fez quatro anos. Seu nascimento foi apressado, preocupante e ao mesmo tempo lúcido para mim e para o seu pai. A gente já tinha uma experiência anterior de passar por um parto e de cuidar de um bebê recém-nascido. Nós estávamos tranqüilos. Até o exato momento em que você nasceu. Porque, quando você nasceu, o que a gente ouviu foi um silêncio muito grande que pareceu durar muito tempo. Seu pai tentava ficar calmo e me falava que estava tudo bem e eu não parava de perguntar o que estava acontecendo e por que você não chorava. E eu nem posso imaginar como seria a nossa vida se você não tivesse chorado naquele momento.
Mas você chorou naquela noite de segunda-feira e chorou muuuiiitttoooo em muitas outras noites depois. E você nos ensinou que filho não segue uma regrinha básica e que cada um é diferente do outro. Você teve capacidade de nos surpreender muito naqueles primeiros meses de vida e continua a nos surpreender todos os dias até hoje.
Você é bem diferente daqueles seus primeiros segundos: você é barulho, correria, sol, choro alto, pulos incontáveis. Você é vida, muita vida. Tudo com você é intenso, nada pode ser pela metade e, desde pequeno, sempre soube conquistar o seu espaço (e às vezes o espaço dos outros também). Você é uma luz que nunca passa desapercebida aonde quer que vá. Todos falam da sua beleza, da sua desenvoltura, da sua fofura. Eu já falei que você é fofo? Você dá flores, elogia, cuida de quem você gosta (especialmente da sua irmã), adora dar abraços, beijar, adora um colinho e eu rezo todos os dias para que você continue sempre assim.
Ontem seu pai e eu ficamos o dia inteirinho organizando a casa para uma pequena festinha de comemoração da sua vida. Pedimos que você escolhesse alguns poucos amiguinhos e você disse que só ia convidar quem era “do bem”. Ontem passou o dia feliz com os preparativos e comentou:
-Mãe, eu estou feliz com a minha festinha! Estou “alegue”, bem “alegue”…
Recebeu os coleguinhas, brincou bastante, andou a festa inteirinha de mãos dadas com a Bia, protegeu a Yasmin do ursinho da ventriloquia que veio visitar vocês na festinha (“não precisa ter medo, Yasmim, ele não é de verdade. Fica aqui do meu ladinho…”), pulou muito na cama elástica, foi mais feliz do que nunca!
Eu e seu pai ficamos felizes em poder te proporcionar aqueles momentos e torcemos para que sua vida seja sempre como a noite de ontem: quente, clara, tranqüila e cheia de pessoas queridas. E se, por acaso, aparecer alguma nuvem, algum imprevisto, alguém que não seja “do bem” queremos que você se lembre de que tem a sua família que te ama e que estará sempre ao seu lado.
Feliz Vida!